Aos primeiros sinais do que iria acontecer a imprensa não deu muita atenção. Catástrofes terríveis, mas causadas por forças naturais regulares, diziam. Tolos.
Muitos foram tolos na época. Eu mesmo ignorei a verdadeira importância disso tudo por muito tempo. Os que primeiro perceberam a relevância do evento não foram levados a sério. Eram apenas vagabundos, mendigos.
Mas os profetas vagabundos foram crescendo em quantidade. E cada vez mais se aglomeravam no submundo. Mantinham contato entre si pelo mundo inteiro, e conspiravam algo grande. Suas ações ganharam exposição midiática, ainda que irônica e debochada.
O grupo crescia sem qualquer tipo de ordem que o controlasse. Não havia regras e nem estatutos. Não havia espaço físico fixo, não havia nome, não era instituído oficialmente por nenhum documento. E ainda assim, a efetividade de suas ações parecia não ter fim. Livros e composições maravilhosas saíam das reuniões festivas que promoviam.
Os “alarmistas”, como eram chamados pela população ordinária, não tinham um líder. É fato que havia membros que atingiram um entendimento maior sobre o que estava a acontecer do que os demais, e por isso tinham certa influência em algumas decisões.
Mas pouco se decidia entre eles. Muito se fazia: realizavam muitas festas, saraus, sessões de cinema em fazendas abandonadas… Era um movimento que se podia chamar de cultural, se realizava atividade artística, e não havia qualquer menção à política. O que aquelas pessoas desejavam era aproveitar cada minuto que lhes restava até o derradeiro momento. E ele chegaria.
E chegou.