Cultivando o abreviável

Hoje acordei com vontade de escrever, mas não escrevi. Não tive tempo, deixei que as palavras sufocassem no bafo seco do dia.

Acontecimentos fúteis se apoderaram de minha mente, e não permiti que se expressassem as ideias mais belas que habitam atrás de minha fronte.

Ocupei-me do que é estéril.

Chego agora cansado, desejando dar repouso ao raciocínio. Li hoje que “não cultivamos nada que não pode ser abreviado˜, Walter Benjamin. Não posso discordar.

Percebo que estou cada vez mais sozinho em minhas convicções, embora mais certo delas, sendo elas mesmas a própria incerteza quanto às questões do céu e da Terra.

Ouso comparar-me àqueles que viram a burrice do bom senso, já que vejo nele a estupidez elementar. Serei um louco ou um sábio, mas loucos estão os outros, que acham que podem viver de meias no Brasil.

 

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